De uns anos para cá, tenho percebido que Alice no País das Maravilhas se tornou uma livro “pop-cult”. Talvez porque sua atmosfera psicodélica muito sirva à “pós-modernidade” (se é que isso existe mesmo). Além do mais, muito se explorou da estética do livro e de suas idéias que ora tem o singelo pensamento de criança, ora parecem ter inspirado a teoria da psicanálise.
Para além disso, enxergo o livro como um tesouro do final da minha infância. Eu comecei a gostar de Alice aos 12 anos. Li uma versão infanto-juvenil do livro e nunca uma história me marcou tanto. Nunca um personagem pareceu estar dentro de mim. Que princesa que nada, desde então Alice virou meu modelo de mulher. Confusa, questionadora, mas sempre educada e com uma curiosidade delicada. Mais do que um modismo, esse virou o meu livro de vida.
E cá estou hoje com uma nova edição dele em mãos, lançada pela Cosac Naify, e pensando: melhor que cheiro do livro novo é quando ele vem acompanhado de idéias que nunca envelhecem.
“- Mas eu não quero ir parar no meio de gente maluca – observou Alice.
- Ah, mas não adianta você querer ou não – disse o Gato. – Nós somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.
- E como é que você sabe que sou louca? – perguntou Alice.
- Bem, deve ser – disse o Gato – ou entáo você não teria vindo parar aqui.“


